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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Zabelê, Zumbi, Besouro

Em homenagem às minhas iminentes férias, das quais eu pretendo passar pelo menos metade isolada do resto da humanidade e em contato com a natureza, vou escrever hoje um breve comentário sobre os dois primeiros versos da música “Linda Juventude”, que são alvo frequente de gozação não de todo merecida.

Dá play e vai tocando a música enquanto eu explico.


Zabelê, zumbi, besouro.
A palavra zumbi aqui não se refere a um morto-vivo, mas ao modo imperativo afirmativo do verbo zumbir. “Zumbi, besouro.” é como “Cantai, passarinho.” Nada de errado aí.

Já zabelê, ao contrário do que alguns pensam, não é uma palavra inventada, e sim o nome de uma ave nativa do Nordeste brasileiro. Também é o nome de uma cidade da Paraíba, mas eu acho que a ave combina mais com o resto da música, então deixa a ave mesmo. E, apesar de o zabelê não acrescentar nenhuma informação à frase “zumbi, besouro”, acredito que ele esteja aqui apenas pela aliteração, figura de linguagem (para quem não se lembra das aulas de português do ensino fundamental) caracterizada pela repetição de sons consonantais.

"Muito prazer, eu sou um zabelê."
Image courtesy of Manuel Anastácio @ Wikimedia Commons

Vespa fabricando mel.
Revelação bombástica aqui: vespa fabrica mel, sim. É um mel mais escuro e mais amargo do que o fabricado pelas abelhas e que, por isso, normalmente não é consumido pelos seres humanos, mas é comestível e não deixa de ser mel.

Moral da história: a música não é, na minha humilde opinião, nenhuma maravilha, mas tem muita música pior e indefensável por aí praticamente implorando para ser zoada. E era só isso que eu queria dizer: obrigada pela atenção de todos.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Músicas Para Correr (parte 2)

No ano passado, eu publiquei um post sobre as músicas que eu gosto de escutar enquanto corro. Fui atualizando aquele post conforme a minha lista de músicas ia mudando, mas hoje resolvi começar um post novo por causa de duas músicas novas que entraram na minha lista e são tão fora do padrão em relação às demais que merecem um comentário.

Aconteceu que, enquanto eu procurava músicas para incluir na minha lista, minha sobrinha de 11 anos me sugeriu algumas: foi assim que entraram para essa lista "Viva La Vida" (Coldplay) e "Pompeii" (Bastille), duas músicas que não têm exatamente uma mensagem tão positiva quanto as demais desta lista. E eu descobri, então, que são dois os tipos de música que me animam para correr: as músicas do tipo "vai dar tudo certo" e as músicas do tipo "ferrou tudo, então vamos celebrar a derrota mesmo, que é o que tem". Essas duas músicas se enquadram na segunda categoria.

Um comentário adicional é que, ao acrescentar a trilha sonora de "Os Croods" e "A Origem dos Guardiões" a uma lista que já tinha "Frozen" e "Meu Malvado Favorito", eu me torno oficialmente uma pessoa adulta que assiste muito desenho animado. Me julguem.

Assim, complementando o post de 23/07/2014, seguem mais músicas que eu escuto enquanto corro:

  • Pompeii (Bastille)
"And the walls kept tumbling down in the city that we love. Great clouds roll over the hills, bringing darkness from above."
  • Viva La Vida (Coldplay)
"I used to rule the world: seas would rise when I gave the word. Now in the morning, I sleep alone, sweep the streets I used to own."
  • Shine Your Way (Owl City & Yuna)
"Don't have to walk, now you can run. Nothing can stand in your way."
  • Shooting Star (Owl City)
"Fill the darkest night with a brilliant light, 'cause it's time for you to shine brighter than a shooting star, so shine no matter where you are tonight."
  • To the Sky (Owl City)
"There's a realm above the trees where the lost are finally found, so touch your feathers to the breeze and leave the ground."
  • Infinita Highway (Engenheiros do Hawaii)
"Cento e dez, cento e vinte, cento e sessenta: só pra ver até quando o motor aguenta."

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Músicas Para Correr

Música é uma coisa muito pessoal. Música para correr, mais ainda. O que motiva um, ao outro estressa. O que deprime um, comove o outro. E ainda há a questão do gosto musical de cada um: tenho certeza que há gente que adora correr ao som de axé, mas eu, mesmo reconhecendo a qualidade "sai do chão" inerente ao ritmo, nem sonharia em incluir uma música da Ivete Sangalo na trilha sonora das minhas corridas.

Minha trilha sonora ainda está em fase de elaboração: algumas músicas entram na lista, ficam um tempo e depois acabam saindo, outras estão firmes nas paradas de sucesso desde a primeira corrida. Assim, este post provavelmente ainda vai ser muito editado.

Mesmo não sendo definitiva, estou postando aqui esta lista porque no começo eu tive dificuldade para encontrar as músicas certas para o meu estado de espírito e fiz muitas pesquisas por "músicas para correr" procurando dicas para começar a montar minha trilha sonora. Sugestões nos comentários são super bem-vindas, mas sem esquecer que, como eu disse antes, música pra correr é uma coisa super pessoal: sua música pode ser ótima e ainda assim não entrar na minha lista.

  • Nada Sei (Kid Abelha)
"Sou errada, sou errante, sempre na estrada, sempre distante. Vou errando enquanto o tempo me deixar."
  • Searchin' My Soul (Vonda Sheppard)
"I've been searchin' my soul tonight. I know there's so much more to life. Now I know I can shine the light to find my way back home."
  • Tudo Azul (Lulu Santos)
"Nós somos muitos, não somos fracos: somos sozinhos nesta multidão. Nós somos só um coração sangrando pelo sonho de viver."
  • Agora Só Falta Você (Rita Lee)
"Um belo dia, resolvi mudar e fazer tudo o que eu queria fazer: me libertei daquela vida vulgar que eu levava estando junto a você."
  • Don't Stop Me Now (Fred Mercury)
"I'm gonna go, go, go, there's no stopping me: I'm burning through the sky, yeah!"
  • Make Your Own Kind of Music (Mama Cass Elliot)
"Nobody can tell you there's only one song worth singing. They may try and sell you 'cause it hangs them up to see someone like you. But you gotta make your own kind of music, sing your own special song."
(Retirei essa música da lista em 10/10/2014 porque, embora eu goste da letra, eu tendo a sincronizar os meus passos com a batida da música e essa não ajuda.)
  • Weight of the World (Chantal Kreviazuk)
"I used to carry the weight of the world, now all I wanna do is spread my wings and fly."
  • Só Por Hoje (Legião Urbana)
"Só por hoje, eu não quero mais chorar. Só por hoje, eu espero conseguir aceitar o que passou e o que virá. Só por hoje, vou me lembrar que sou feliz."
  • Watch Me Shine (Joanna Pacitti)
"Bet you don't think I can take it, but my mind and body are strong. Bet you don't think I can make it: it won't take long."
  • Clarear (Roupa Nova)
"Quando o pouco de bom rarear e a vida for escura e ruim, nunca é tarde pra lembrar que o Sol está dentro de mim."
  • It's My Life (Bon Jovi)
"It's my life, it's now or never. I ain't gonna live forever. I just wanna live while I'm alive."

Editado em 19/09/2014 para incluir:

  • Brave (Sara Bareilles)
"Honestly, I wanna see you be brave with what you want to say and let the words fall out."
  • Think Good Thoughts (Colbie Caillat)
"I won't let the negativity turn me into my enemy. Promise to myself that I won't let it get the best of me; that's how I want to be."
  • Happy (Pharrell Williams)
"Because I'm happy: clap along if you feel like a room without a roof. Because I'm happy: clap along if you feel like happiness is the truth."

Editado em 10/10/2014 para incluir:

  • Enquanto Houver Sol (Titãs)
"Quando não houver caminho, mesmo sem amor, sem direção. A sós ninguém está sozinho. É caminhando que se faz o caminho."
  • Secrets in My Life (Jill Johnson)
"So, you think you know just who I am. Well, hello, I'm afraid you know nothing, man, cause yet you've only read the first few lines in the book about the story of the secrets in my life."
  • Let It Go (Sara Bareilles)
"It's funny how some distance makes everything seem small and the fears that once controlled me can't get to me at all. It's time to see what I can do, to test the limits and break through. No right, no wrong, no rules for me: I'm free."
  • Firework (Katy Perry)
"Like a lightning bolt, your heart will glow and when it's time you'll know: you just gotta ignite the light and let it shine, just own the night like the Fourth of July."

Editado em 28/07/2015 para incluir um link para a parte 2 deste post.

É o que tem pra hoje. Boa corrida pra quem se animar.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Newsonic

Depois de fazer vários posts apoiando artistas de rua, vou fazer um post para apoiar a banda de um amigo meu, que está participando de uma promoção da Agência PapaGoiaba cujo prêmio é a gravação de um videoclipe. Como eles acabam de gravar o seu primeiro CD, o videoclipe viria em excelente hora.

Para ajudá-los, basta assistir o vídeo abaixo e clicar no botão "Gostei" na barra superior do vídeo. A minha opinião é suspeita, claro, mas eu gostei bastante do som deles, de verdade. O meu amigo que toca na banda é o guitarrista Leo Coutinho.


"Curtis" na foto da banda no Facebook também contam, então dá pra ajudar duas vezes, clicando no "Gostei" do vídeo e depois no "Curti" da foto, neste link.

Desde já, obrigada!

Para aqueles que curtirem (só pode olhar depois que curtir!) seguem, como recompensa, algumas fotos felizes:

E AGORA, UM POEMA:
© Familyfotographer | 
Dreamstime Stock Photos & Stock Free Images

ROSAS SÃO VERMELHAS,
© Pliene | 
Dreamstime Stock Photos & Stock Free Images

VIOLETAS SÃO AZUIS.
© Svetlanagladkova | Dreamstime Stock Photos & Stock Free Images

OBRIGADA POR CLICAR NO LINK
© Tan4ikk | 
Dreamstime Stock Photos & Stock Free Images

E AJUDAR A FAZER MÚSICA!
© Namowen | 
Dreamstime Stock Photos & Stock Free Images

(FOTO BÔNUS JÁ QUE O VERSO NÃO RIMOU)
© Creativestock | 
Dreamstime Stock Photos Stock Free Images

sábado, 2 de março de 2013

Diário de Uma Aspirante a Flautista #2

Na última quinta-feira tive minha quinta aula de flauta. E o que tenho a dizer é o seguinte: eu decididamente preciso praticar mais... Não que eu não esteja progredindo, porque estou: já consigo tocar um verso inteiro de forma abominável, mas consigo. Mas um dos meus objetivos ao estudar música é exercitar a disciplina, então, se eu não seguir o programa proposto, de que adianta?

É impressionante a quantidade de coisas envolvidas numa atividade aparentemente tão simples. A simples mudança de uma nota para outra um tom acima ou abaixo pode exigir o reposicionamento de todos os dez dedos, e isso tudo sem deixar a flauta cair no chão! A posição e inclinação da flauta, a abertura da boca e a posição dos lábios e da língua determinam em que oitava está a nota produzida ou mesmo se é produzida alguma nota (às vezes você se prepara todo, dedos em posição, postura correta, ombros relaxados, joelhos ligeiramente dobrados, diafragma pronto e... ppppfff! faz só aquele barulho de sopro). Se o diafragma não for usado da maneira correta (seja honesto, você sabe onde fica o seu diafragma?), o ar acaba na terceira nota. Com tanta coisa na cabeça, é difícil se concentrar no ritmo e ainda lembrar que aquela bolinha entre a quarta e a quinta linha é um mi. E já contei que às vezes eu hiperventilo e fico tonta?

Em teoria eu já sei muitas coisas: que o símbolo do lado esquerdo é uma clave de sol, que o fato de ser uma clave de sol quer dizer que a nota sobre a segunda linha é um sol, que o 6/8 quer dizer que em cada compasso há seis colcheias, que uma colcheia é aquela bolinha preta com uma perna e um rabicho...

Conheço pausas com as mais variadas durações, sustenidos, bemóis, bequadros, ritornellos... Ufa! Em teoria eu sou um gênio. Na prática eu consigo tocar "O meu reino tem muito a dizer..." e daí eu paro pra tomar fôlego.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Alfredo Buendía

Ontem parei na esquina da Buenos Aires com a Gonçalves Dias para apreciar o trabalho do músico  francês Alfredo Buendía e aproveitei para comprar o CD "Jazz Melodies", com diversas músicas cantadas e/ou tocadas (no trompete) por ele e por uma banda que, infelizmente, permanece anônima.

Sempre fico com um pouco de pé atrás em relação a instrumentos de sopro, mais ainda em se tratando de jazz, um estilo cujos trombetes e clarinetes tendem a ser estridentes demais para o meu gosto (não adianta jogar pedra, acho mesmo). Não entendo nada de jazz, por isso aceito a palavra do artista de que as músicas do CD "Jazz Melodies" são efetivamente jazz, mas admito que achei o trompete extremamente agradável em todas elas.

A voz e o trompete se alternam na melodia acompanhadas pelo piano e pela bateria para criar um CD bem gostoso de escutar. Na faixa 12 (Dream a Little Dream Of Me), entrou um outro instrumento que a princípio eu pensei que fosse de corda, mas depois fiquei na dúvida: alguma coisa da família do xilofone, talvez? Não sei, sou péssima pra identificar instrumentos: de qualquer modo, gosto muito dessa música, e o arranjo não me decepcionou. Já na faixa 15 (Beautiful Love), há um instrumento de corda com certeza, substituindo o piano; nesse, eu apostaria em violão, porque é um instrumento que conheço melhor.

O sotaque do artista é perceptível, mas sutil o suficiente para não prejudicar em nada a experiência. Teria sido interessante escutar alguma coisa em francês também: deve haver jazz em francês, não? Nova Orleans não é considerada a capital mundial do jazz?

Finalmente, ao escrever este post, uma surpresa agradável: ao visitar o site do artista, encontrei um texto sobre a figura do artista de rua que descreve exatamente o que eu penso desse trabalho, bem como postei aqui no blog há algum tempo atrás.

"Você está andando para o trabalho ou passeando na cidade, e de repente ouve uma melodia. Essa música abre um espaço na cidade, um espaço onde um artista vai transmitir sensações, sentimentos, energias que vão lhe tocar. Muitas vezes pessoas falam assim: « estava com meus problemas na cabeça e ouvi uma música linda. O mundo mudou em um segundo, e fiquei parado, esquecendo de tudo »."

Isso aí que o Alfredo Buendía disse.


Faixas preferidas:
4 - What's New
5 - Blue Moon
7 - What a Wonderful World
16 - Embraceable You

domingo, 27 de janeiro de 2013

Diário de Uma Aspirante a Flautista #1

Na quinta-feira passada tive a minha primeira aula de flauta transversa, parte do meu projeto para 2013 de experimentar coisas novas e exercitar outros músculos do espírito.

Em primeiro lugar, devo declarar que há muito tempo eu não faço alguma coisa em que sou tão ruim! E digo isso sem nenhum vestígio de auto-depreciação: estou confiante de que com paciência e estudo eu chego lá, mas, no estágio atual, nossa, como eu sou ruim nisso!

Seguindo a sugestão do professor, eu não estabeleci uma carga horária diária de estudos: me propus a estudar todos os dias o quanto eu aguentasse e, sinceramente, são 15 minutos de olho no relógio.

Hoje, quarto dia, posso dizer que consigo, razoavelmente:
  • Montar a flauta (seguindo a cola)
  • Colocar os dedos na posição correta sem muita hesitação (é mais difícil do que parece)
  • Produzir som em 50% das tentativas (não estou exagerando: na metade das vezes sai só barulho de sopro e nenhuma nota)

Hoje também tive uma grande vitória: consegui, pela primeira vez, subir e descer uma oitava só mudando a inclinação da flauta e a abertura dos lábios (estou dizendo que é difícil!).

E é só isso. E ao mesmo tempo é coisa pra caramba.


domingo, 30 de dezembro de 2012

Sumaj Inty Nan

Prosseguindo com a minha proposta de comprar CDs de músicos de rua, na semana passada eu comprei o CD "Louvores ao Senhor - volume 3", do grupo equatoriano Sumaj Inty Nan, que estava tocando na esquina da Rua Gonçalves Dias com a Rua do Rosário na hora do almoço.

Não foi fácil obter informações sobre o grupo com base no e-mail de contato apenas, por isso espero ter escrito o nome corretamente (também encontrei as grafias Sumaj Inti Nan, Sumaj Inti Ñan e Sumaj Inty Ñan). Além disso, eles tinham vários CDs diferentes, mas na hora não prestei atenção em qual estava comprando, pois meu interesse era no trabalho do grupo, e não em uma música em especial. Assim, acabei sem entender a escolha do repertório para índios equatorianos que se apresentam vestindo o que para mim, na minha total ignorância sobre as tradições e folclore do Equador, pareciam roupas típicas.

Se as músicas fossem em espanhol ou no idioma nativo deles (que, confesso, não sei qual é), eu não diria nada, pois sei que existem cristãos também entre a população indígena. O fato de serem músicas em português, no entanto, me faz pensar mais em alguém dizendo: "Pessoal, divulgar a nossa cultura e as nossas tradições é muito bacana e coisa e tal, mas a gente também precisa pagar as contas: vamos incluir no repertório também alguma coisa mais popular."

Enfim, antes hinos cristãos do que funk: as músicas escolhidas são muito bonitas e o grupo faz um bom trabalho com elas (apesar de precisarem urgentemente de alguém que faça a correção do português, cheio de erros, da capa e da contracapa). Tocar, sem voz, música que foi composta com letra e melodia é um risco, porque a melodia tende a ficar repetitiva sem a letra, mas acho que eles se saíram bastante bem tanto na escolha das músicas quanto na sua execução. Comparei algumas das músicas com os originais disponíveis no YouTube e vi que eles não se arriscaram, mantendo os arranjos originais, mas funcionou bem: o CD é muito gostoso de escutar, mesmo para mim que só conhecia a primeira música.

Vou ficar atenta para ver se os encontro de novo pela cidade, para me informar mais e, se possível, comprar um CD com músicas mais representativas do trabalho que eles mostram na rua.


Faixas preferidas:
01 - Eu Navegarei
03 - Deus É Fiel
04 - Espírito Santo
15 - Sabor de Mel

sábado, 15 de dezembro de 2012

Colorama

Eu adoro o trabalho dos músicos de rua. Dou dinheiro com prazer, porque acho o máximo eu estar na rua cuidando da minha vida, indo almoçar ou voltando do trabalho, e me deparar com alguém tocando um instrumento, cantando, colorindo o cinza do Centro da cidade com música.

Dou dinheiro sem ver isso como esmola, mas como o pagamento pelo serviço prestado de tornar meu dia mais bonito e como incentivo para não desistir, se não da música como carreira, pelo menos da música como arte e como exercício para a mente e para o espírito.

Daí outro dia pensei que, já que vou dar dinheiro, posso bem desembolsar um pouco mais e comprar o CD que muitos desses artistas de rua vendem. Levo algo comigo além da satisfação de ter contribuído e ainda vejo o rosto do artista se iluminar com o reconhecimento do seu trabalho.

E é assim que estou escutando, enquanto escrevo este post, o álbum Colorama, da dupla espanhola de mesmo nome. As primeiras duas músicas que escutei não me agradaram: deixei o CD de lado, mas acabei voltando a ele mais tarde, meio por teimosia. Não sei se meu ouvido acostumou, se meu estado de espírito hoje está mais receptivo ou se só dei azar com as duas primeiras músicas, mas, embora realmente não faça muito o meu estilo, hoje estou apreciando mais as músicas.

Minha impressão é que a gaita asturiana é muito estridente para o meu ouvido e o djembe africano não é encorpado o suficiente para absorver e suavizar as arestas da melodia da gaita. (Obs. Desnecessário dizer que estou inventando esses "termos técnicos" numa tentativa de descrever a minha experiência auditiva, né?). As faixas das quais mais gostei são justamente aquelas em que a melodia chega a notas um pouco mais graves (não muito mais graves, porque não dá mesmo) e o djembe está mais presente. Ainda acho que o trabalho deles se beneficiaria de mais um ou dois instrumentos para fazer um contraponto à dureza da gaita asturiana.

De qualquer modo, as músicas me parecem bem executadas: se estão fugindo da melodia original, não tenho como saber, mas em nenhum momento escutei aquela desafinação dissonante que fere o ouvido.

Na última faixa (Roxu), a gaita foi substituída por um instrumento não identificado mas definitivamente da família das flautas que foi uma surpresa muito bem-vinda. Só lamento não ter tido a oportunidade de escutar esse instrumento junto com a gaita: poderia, talvez, ser aquele instrumento cuja falta eu senti nas outras faixas para equilibrar a estridência da gaita asturiana.


Faixas preferidas:
4 - La Gaita num la viendo
5 - Entermedios y Marcha (particularmente a segunda parte)
11 - Roxu